Como dividir as despesas do casal quando um ganha mais

A equipe do CoupleStars Clareza financeira 3 min de leitura
Um casal sentado no chão revisando o orçamento compartilhado no notebook antes de dividir despesas do casal
Photo by Julio Lopez on Unsplash

Duas rendas raramente chegam a valores iguais. Muitos casais ainda dividem cada conta compartilhada exatamente ao meio, porque parece a coisa mais justa a fazer. Normalmente não é. Dividir despesas do casal por valor fixo, em vez de por proporção de renda, pode custar mais caro a quem ganha menos, mês após mês, sem que nenhum dos dois perceba. O que vem a seguir cobre o que conta como despesa compartilhada, números reais de renda em vez de suposições, e uma divisão proporcional que continua funcionando quando o salário muda.

Por que isso importa

Uma divisão 50/50 num aluguel de US$ 2.000 significa os mesmos US$ 1.000 para cada um, mas não representa a mesma mordida no salário de cada pessoa. Se um parceiro recebe US$ 5.500 líquidos por mês e o outro recebe US$ 3.000, esses US$ 1.000 equivalem a cerca de 18% da renda do primeiro e 33% da renda do segundo. O valor em dinheiro é idêntico. O que realmente muda é o que sobra depois, a parte que ninguém nomeia em voz alta até que já virou briga.

Comece definindo o que realmente conta como despesa compartilhada

Comecem acertando a lista juntos. Aluguel, mercado, contas de consumo e o seguro do carro que está no nome dos dois costumam ser decisões fáceis. Uma academia, uma assinatura de streaming que só um dos dois usa, ou um hábito de café, é onde os casais discordam silenciosamente sem nunca dizer isso em voz alta. Escrevam a lista juntos. É fácil supor que a versão de um bate com a do outro quando não bate. Um teste útil: se só uma pessoa sentiria falta daquilo, provavelmente é gasto pessoal.

Baseie a divisão na renda líquida

A divisão deve ser calculada sobre o que realmente cai na conta de cada um, depois de impostos e descontos da folha. Esse número é diferente do salário bruto que se diria em voz alta num jantar, às vezes bem diferente. Se alguma das rendas for irregular, trabalho autônomo, comissão, turnos sazonais, tire a média dos últimos seis a doze meses. Não chute com base num mês bom ou num mês fraco. Diga o número real em voz alta. Essa costuma ser a parte mais difícil de todo o processo, mais difícil do que qualquer conta que vem depois.

Um casal escolhendo produtos juntos no corredor do supermercado
Foto de Centre for Ageing Better no Unsplash

A matemática proporcional por trás da divisão de despesas do casal

Somem as duas rendas e depois dividam a renda de cada pessoa pelo total combinado. Essa porcentagem é o quanto cada um contribui para os custos compartilhados. Usando o exemplo de US$ 5.500 e US$ 3.000: a renda combinada é de US$ 8.500, então quem ganha mais cobre cerca de 65% e quem ganha menos cobre cerca de 35%. Em US$ 2.000 de despesas compartilhadas, isso equivale a aproximadamente US$ 1.300 e US$ 700, em vez de US$ 1.000 para cada um. Nenhum dos dois números é redondo. Uma planilha com duas células e uma fórmula de divisão faz essa conta mais rápido do que qualquer aplicativo.

Decida como o dinheiro vai se mover na prática

Alguns casais transferem a própria parte para uma conta conjunta que só paga as contas compartilhadas. Em outros, um parceiro paga o aluguel diretamente ao locador, e a outra pessoa manda a sua parte logo em seguida. As duas formas funcionam. O que importa mais é quem controla a conta depois que o dinheiro chega lá. As sociólogas Carolyn Vogler e Jan Pahl, que estudaram como casais britânicos administram as finanças domésticas, descobriram que mesmo entre casais que juntavam toda a renda, normalmente era um parceiro quem administrava o fundo comum. Apenas cerca de um quinto administrava isso em conjunto, e esses casais relataram a opinião mais equilibrada nos gastos do dia a dia. A divisão proporcional resolve a questão da contribuição. Quem tem a palavra final sobre a conta é uma decisão separada, que vale a pena tomar de propósito.

Quando os números não param de mudar

Um aumento, uma demissão, uma mudança para meio período: qualquer um desses eventos pode tornar as porcentagens do ano passado incorretas, às vezes dentro de um único ciclo de pagamento. Revisem a divisão sempre que alguma das rendas mudar de forma significativa. Uma revisão anual fixa pode simplesmente não captar isso a tempo. Os pesquisadores Johanna Peetz, Zoe Meloff e Courtney Royle analisaram centenas de discussões de casais sobre dinheiro. Eles encontraram algo específico. Divergências sobre despesas rotineiras do dia a dia costumavam ser inofensivas, até úteis. O que previa menor satisfação era mais específico: contribuições relativas injustas, discussões sobre quem estava pagando mais do que a sua parte. Essa é exatamente a questão que esse tipo de divisão serve para resolver de antemão.

Isso não tira o dinheiro como assunto do relacionamento. Isso nunca ia acontecer. O que essa divisão faz é mais modesto: substitui um palpite sobre justiça por um número que qualquer um dos dois pode conferir, para que o orçamento do casal parta de fatos combinados em vez de uma sensação de quem está carregando mais peso. Pagar uma parte justa e ter voz igual nas decisões são questões separadas. A diferença de renda não precisa decidir a segunda só porque já resolveu a primeira. Casais que estão reorganizando contas conjuntas e individuais, ou renegociando tudo depois de morar junto pela primeira vez, costumam chegar à mesma bifurcação. A matemática é a parte fácil.

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