Desejo sexual diferente no relacionamento não é sinal de alerta
Perto de quatro em cada cinco casais em relacionamentos de longo prazo passam por uma fase em que um parceiro quer sexo e o outro não, segundo pesquisas sobre o que se chama de discrepância de desejo. Esse número se mantém mesmo em casamentos estáveis. Muitos deles não mostram nenhum outro sinal de problema. O desejo sexual diferente no relacionamento é comum o suficiente para que pesquisadores hoje tratem essa diferença como algo comum, embora quase ninguém que esteja vivendo isso fale sobre o assunto com essa clareza.
O Gottman Institute tem um nome para esse tipo de desacordo: problema perpétuo. Diferente de uma briga sobre de quem é a vez de lavar a louça, problemas perpétuos vêm de diferenças reais e duradouras de personalidade ou necessidade, e não se resolvem, apenas se administram. Um casal aprende a conviver com o fato de um parceiro ser matutino e o outro, notívago. O desejo funciona do mesmo jeito, só que toca em algo mais exposto do que horários de sono. Quem quer sexo com menos frequência começa a se sentir perseguido. Quem quer mais começa a se sentir rejeitado e, depois de recusas suficientes, passa a ler cada uma delas como um veredito sobre o quanto ainda é desejável para alguém com quem compartilha a vida há anos. Nenhuma das duas leituras costuma ser precisa.
Por que o desejo sexual diferente no relacionamento raramente significa o que as pessoas temem
Um casal cai em um padrão sem perceber: um parceiro se aproxima numa noite de terça-feira, recebe um não cansado e, na semana seguinte, já parou de tentar, silenciosamente. Nada foi dito em voz alta. O convite só foi diminuindo. O que costuma piorar esse afastamento é o silêncio. Conversar sobre isso diretamente em vez de supor o que aquilo significa é uma das poucas atitudes que realmente ajudam, porque tentar adivinhar o desinteresse do parceiro quase sempre erra o motivo por trás dele. Cansaço, estresse e um corpo que simplesmente ainda não acompanhou o clima acabam sendo confundidos com rejeição com muito mais frequência do que algo mais sério estar de fato acontecendo.
Querer sexo e estar com vontade não são a mesma coisa
A pesquisadora de sexualidade Emily Nagoski faz uma distinção que ajuda aqui: o desejo espontâneo surge por conta própria, do nada, enquanto o desejo responsivo só aparece depois que outra coisa já está acontecendo, toque, privacidade, a sensação de que o dia realmente terminou. O desejo espontâneo é mais comum em algumas pessoas do que em outras. O desejo responsivo não é inferior. Ele só precisa de um empurrão inicial. Um casal que espera os dois parceiros sentirem vontade de forma independente pode esperar muito tempo. O que costuma funcionar é algo menor: quinze minutos do tipo de toque cotidiano que mantém um casal fisicamente próximo ao longo de décadas, sem expectativa nenhuma atrelada, oferecido antes de qualquer decisão sobre o rumo da noite.
Quando nomear a diferença não a resolve
Nada disso promete uma solução simples. Às vezes, o descompasso no desejo está no lugar de algo completamente diferente, um ressentimento antigo, uma mágoa que nenhum dos dois chegou a nomear, a sensação de que as necessidades de uma pessoa silenciosamente valem mais do que as da outra dentro de casa. Nesses casos, a frequência do sexo nunca foi realmente o motivo da discussão, e nenhuma quantidade de toque programado resolve o que está de fato por baixo disso. Isso exige o trabalho mais lento de lidar com um conflito que não se resolve por completo, e costuma começar pela conversa mais difícil, bem antes de qualquer mudança de rotina conseguir ajudar.
A maioria dos casais que trabalham nisso não termina perfeitamente sincronizada. O que fica é uma espécie de trégua: um entendimento sobre quem costuma querer o quê, quando e por quê, mantido de forma flexível o bastante para que uma semana mais parada não seja tratada como diagnóstico. Esse entendimento raramente surge de uma única conversa. Ele se constrói do mesmo jeito que reconectar-se com o parceiro costuma acontecer, por meio de pequenos retornos espalhados ao longo de muitas semanas comuns, até que a diferença deixe de ser algo que qualquer um dos dois precise carregar sozinho.
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